Superfície da 'suprabola coloidal' tem gomos como um bola de futebol.
Objeto poderia ser aplicado na produção desde remédios até televisores.
Cientistas anunciaram nesta segunda-feira (24) a criação de uma “bola
de futebol” que é mais fina que um fio de cabelo. O avanço pode ter
diversas aplicações no campo da nanotecnologia, sendo usado na produção
desde remédios até televisores.
As bolas são formadas por um conjunto de micropartículas de
poliestireno, que é um tipo de plástico. As partículas se juntam em uma
esfera quase perfeita por meio de um processo natural, usando a
evaporação da água.
À esquerda, a microbola; à direita, a superfície em detalhes, com os 'gomos' da bola (Foto: Álvaro Marín/Divulgação)
A equipe de Álvaro Marín, da Universidade de Twente, na Holanda,
colocou as micropartículas suspensas em água. Essa solução foi colocada
sobre uma superfície “hidrofóbica”, ou seja, que repele a água.
Nessa superfície, a solução fica praticamente suspensa. As gotículas de
água se apoiam sobre pequenos pontos como em uma cama de pregos – os
cientistas chamaram esse efeito de “faquir”, em referência a quem
pratica a técnica de se deitar sobre essas camas.
Sobre esses “pregos” as gotículas de água adquirem um formato redondo e
mantêm esse formato durante a evaporação, mesmo quando adquirem
tamanhos microscópicos. Quando toda a água evapora, as micropartículas
de poliestireno se juntam no mesmo formato redondo, criando as
“microbolas de futebol”.
A comparação com bolas de futebol foi feita pelos próprios
pesquisadores, porque cada micropartícula fica marcada na superfície, em
um pentágono que lembra a costura dos gomos de uma bola. O nome
científico do objeto é “suprabola coloidal”.
“Nossa principal motivação era construir uma estrutura microscópica
como essa de uma forma passiva, sem manipulação complexa. É o que
chamamos de ‘automontagem’ e é a abordagem que tentamos seguir para
construir coisas no mundo microscópico”, afirmou Marín.
O pesquisador disse que o objeto poderia ser usado para encapsular
medicamentos com segurança, já que envolve pouca manipulação. Ele
afirmou ainda que o objeto tem “propriedades ópticas interessantes”, e
que pode ser usado nesse sentido, na produção de televisores, por
exemplo.
O estudo foi publicado pela "PNAS", revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
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